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  • Nana Soares

Minha vida de blogueira

Atualizado: 25 de Set de 2020


Amo escrever. Essa é uma das poucas coisas que afirmo categoricamente sobre mim e que parece ser uma permanência mesmo em frente a muitas mudanças.


No entanto, apesar de amar escrever, essa é provavelmente a primeira vez que dedico, de verdade, um espaço para isso. Um espaço para a minha escrita. Para experimentar, dividir, multiplicar e evoluir. Pode soar bastante irônico se você sabe que eu sou jornalista e que ganho a vida, basicamente, escrevendo. Ainda mais estranho se você lembrar que até um certo tempo atrás eu tinha um blog em um dos maiores jornais do país. E o blog tinha o meu nome e levava a minha foto.


Como assim primeira vez, Nana?


É que é a primeira vez que eu escrevo o que eu quero, sem linha editorial ou qualquer outra amarra. Onde mais fazer isso se não no meu site?


Jornalista escreve, mas responde a editor, e nem sempre consegue se colocar no texto. Jornalismo não é sobre a repórter, e sim sobre a história. Além disso, ando escrevendo sobre temas espinhosos em contextos onde não cabe a liberdade que quero ter aqui. Como jornalista aprendo muito, mas nem sempre estou conectada ao meu texto de verdade.


No blog antigo, tinha que falar de um assunto pré-determinado. Eu que escolhi, e podia dar minha visão e opinião abertamente, mas ainda assim era um assunto pré-determinado. O assunto da minha vida, é verdade, no qual me especializei e estudei muito mais do que o próprio jornal parecia dar valor. Mas, com o tempo, cansei. Justamente por não ter reconhecidos o esforço, estudo e comprometimento com o blog. Escrevia quase de graça e lidava sozinha com todo o ódio que só as caixas de comentário podem proporcionar.


Um disclaimer: confesso que para esse tipo de ódio nunca liguei, porque sabia exatamente o que esperar. A falta de apoio e o fogo amigo doíam mais.


Naqueles anos aprendi muita coisa, nem sempre pelo jeito mais fácil. Apesar de ter textos ótimos, raramente os releio. Carrego, na mesma medida, lembranças ótimas e horríveis. Os perrengues enfrentei sozinha, os desaforos também. Cheguei a pedir desculpas sem achar que estava errada simplesmente para tentar fazer o ódio parar. Os (muitos) louros que colhi foram determinantes na minha trajetória e a própria conquista do blog é um imenso motivo de orgulho. Mas foi um período solitário - uma grande ironia, já que escrevia de um assunto coletivo. Tão solitário que, tendo acabado, me fez ter certeza de que não queria aquilo de novo.


Primeiro, disse para mim mesma que a rotina não me permitiria escrever.

Depois, me convenci que não precisava de um blog e poderia me expressar de outra forma no mundo do trabalho.

Depois a crise aprofundou e eu tive a certeza que na verdade eu não tinha nada a dizer. Ao menos nada original ou sequer um texto brilhante que justificasse continuar escrevendo.


Então, o que mudou?


Quase nada. Continuo não tendo um texto brilhante e envolvente, continuo desejando profundamente trabalhar com outras coisas além da escrita. Continuo carregada de traumas e desilusão da vida passada de blogueira e achando que a exposição não vale a pena.


Mas também continuo amando escrever.


E cansei de não praticar, porque só se melhora praticando. Cansei de dizer pra mim mesma que não tenho nada a dizer porque isso é desvalorizar a quantidade absurda de conteúdo e análise que eu consumo e produzo, ainda que informalmente.


E daí se não é a melhor análise do mundo? E daí se não sou engraçada, não sei rimar ou fazer métrica? E daí se erro vírgulas e outras pontuações (mas tô estudando!)? Esse blog não vai ser nada disso.


Vai ser eu. E por aqui, isso basta.


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